Tal como já tinha dito, o meu pai foi operado há quase 3 semanas. Foi uma coisa que surgiu bastante de repente, ou melhor, que só se descobriu agora.
Há cerca de 2 ou 3 anos que ele se queixa que vê tudo turvo e em 2012 lá perdeu o amor ao dinheiro e foi a uma clínica toda XPTO em Coimbra porque diziam que os oftalmologistas de lá eram maravilhosos. Ele chegou lá e foi atendido por um médico que lhe disse simplesmente "os seus óculos estão adequados ao problema que tem na visão"... e não quis saber de mais nada, mesmo o meu pai dizendo que via mal com os óculos.
Em Outubro do ano passado decidiu que não podia ser, tinha de ir ao Professor Murta (muito conhecido na área, e que operou a minha tia há uns anos atrás). Procurou o contacto e acabou por marcar uma consulta para uma médica da equipa dele, já que para ter consulta com o próprio do Professor teria de esperar até Maio. Foi à consulta e a médica disse-lhe o mesmo que o outro médico lhe tinha dito, que realmente os óculos estavam adequados para o problema dele.... no entanto não se deixou ficar por aí e disse que a visão turva de que o meu pai se queixava era originada por falta de oxigenação no cérebro. Isto poderia ser por níveis de colesterol e triglicéridos altos ou por problemas na coluna (ele tem sempre os triglicéridos bastante altos, por mais cuidado que tenha com a alimentação .... e também tem 3 hérnias discais). A médica prescreveu-lhe uns exames e ele lá foi fazer. Veio o resultado e: tinha as carótidas (veias que levam o oxigénio ao cérebro entupidas)... pior, uma delas estavam 90% entupida! Aliado a isso, o interior da carótida calcificou, podendo assim aumentar exponencialmente o risco de um AVC, provocado por uma placa de calcificação se soltar e dirigir-se para o cérebro.
Andámos com o coração nas mãos. O médico de família marcou uma consulta de urgência para a cirurgia vascular no Hospital da Universidade de Coimbra e depois de mais um exame feito a operação foi marcada de uma semana para a outra.
Faz 5ª feira 3 semanas que foi operado, já tirou os pontos e hoje foi novamente à consulta a Coimbra. O médico disse-lhe "Eu tinha dito que era possível que tivesse um AVC, mas depois do que vi quando o operei, eu digo: você ia mesmo ter um AVC e não faltaria muito tempo". Isto porque essas placas de calcificação já se estavam a desprender da parede da veia, e com a pressão do sangue facilmente se descolavam por completo e iam para o cérebro.
Neste momento está ainda com uma pequenina sequela da operação pois devem ter-lhe tocado em algum tendão da boca e fala com o lábio um pouco de lado, mas é algo que o médico acredita que irá ao sítio (não foi nenhum AVC que lhe deu depois da operação como pensámos inicialmente, porque o neurologista fez exames para confirmar). Além do mais, não podemos pedir mais do que isto. Tal como o médico lhe disse, com esta operação ele renasceu. Ele estava realmente entre a espada e a parede, a qualquer momento podia ter um AVC e nunca se saberia o porquê, se não fosse aquela médica (sim, uma oftalmologista!) ser consciente e preocupada com os pacientes, muito além daquilo que é realmente a sua área de actuação.